Cidadania: nós e o mundo: a educação no mundo

No âmbito do Projeto de Cidadania, as turmas 10º G e 10º H, realizaram, no âmbito da disciplina de Português, um trabalho sobre a educação, aquela que conhecemos e aquelas que desconhecíamos, por ocorrer noutros pontos do mundo.

Após visualização do filme documentário Sur le Chemin de L’ école e a leitura de excertos do livro Diário de M Yan, diário de uma menina chinesa que foi impedida de estudar por ser menina, estes temas foram debatidos e os alunos realizaram trabalhos, alguns dos quais aqui se partilham, juntamente com o link para o mencionado filme.

Estes trabalhos inscrevem-se nas temáticas: a educação como fator de desenvolvimento sustentável e a educação como fator de igualdade de género.

De notar que, no primeiro período, os alunos haviam realizado apresentações orais sobre os direitos humanos.

O link para o filme é https://www.youtube.com/watch?v=aEHQePgNXNU

Texto da Júlia

O filme Sur Le chemin de l’école aborda a dificuldade de crianças de etnias diversas em chegar à escola, levando horas em um caminho não propício, e até mesmo, num dos casos apresentados, com uma pessoa desabilitada. 

Ao decorrer do filme, ao vermos o esforço que fazem as crianças,  sentimo-nos pessoas privilegiadas, e gratas pela facilidade da realidade em que vivemos, onde ir para a escola não nos custa tanto. 

Vemos os jovens em seu caminho, seja a pé, a cavalo, ou numa cadeira de rodas empurrada por colegas, o que nos impressiona, porque creio que muitos de nós, se tivéssemos de passar por isso diariamente, desistiríamos dos nossos estudos. 

A mensagem que o filme oferece, é, na minha opinião, mostrar aos que assistem, como devemos apreciar, não apenas a educação que nos é oferecida, como também as pequenas regalias que temos por garantidas nas nossas vidas. 

Júlia Kubo

Texto da Beatriz

 De acordo com o filme que vimos, “Sur le chemin de l’école”, podemos claramente constatar que vivemos numa realidade completamente diferente da aí representada.

 As diferenças são mais do que evidentes: escassos e maus meios e vias de comunicação , como estradas e pontes e até mesmo a falta de uma mera bicicleta. Sem esquecer a falta de condições de vida, como de alimentação, higiene… Em Portugal, temos a sorte generalizada de termos todos estes privilégios. No entanto, já nos são tão normais, que nem lhes damos a devida importância. No que toca à educação nestes países, como Índia, Kénia, Argentina e Marrocos, a educação, por vezes é quase impossível.

 Diariamente, milhares de alunos demoram horas a fio a percorrer o seu caminho para chegar à escola, que possivelmente nem tem as condições necessárias e talvez nem lhes traga um futuro próspero. Em Portugal, pelo contrário, não há motivo de queixa, somente depende de nós e da nossa força de vontade.

 Não desistir da educação é essencial para o nosso futuro, independentemente da profissão que seguirmos, seja pneumologista, seja empregado na caixa de supermercado.

 Mas se há algo que assemelha a nossa educação à deles é sem dúvida, o sonho.  A nossa imaginação trata de sonhar e os sonhos demonstram-nos que nada é impossível, é somente uma questão de força de vontade. 

Beatriz Ramirez, 10ºG

Texto da Nina

 Olá querida Nina do passado.

  Antes de começar, acho que é bom te informar que nós migramos do Brasil para Portugal, os cenários que te cercam, afinal, não são mais os mesmos. 

 O motivo de eu estar escrevendo essa carta deve-se a um filme que vimos em uma aula e Português, chamado “Sur le chemin de l’école” , que me fez pensar muito em você. O filme segue o dia-a-dia de diversos alunos ao redor do mundo, com o objetivo de nos lembrar que o ensino e o conhecimento, apesar se serem um direito, se transformam tantas vezes numa exclusividade de grupos privilegiados, que, muitas vezes, se esquecem de o valorizar.

  No decorrer da história, me peguei contando as cenas que teriam te feito chorar, porque iam te obrigar a entender o caos que está a tua volta, nas ruas, escolas e comunidades. Pensei também em como, no caminho para casa, meninos vão te parar para pedir dinheiro. Meninos muito parecidos com aqueles que aparecem no filme, porém esses meninos nunca tiveram a oportunidade de frequentar a escola. E como a presença de tais meninos ia fazer um medo te engolir e te forçaria a andar mais rápido. Consigo até ouvir a voz da nossa mãe quando ela nos mandava seguir andando e “ignorar” os pedidos de dinheiro e comida.

  Discutimos, também, sobre  o livro “O diário de Ma yan” que apresenta a história de uma menina, que como muitas outras, foi privada da escola, porque, aparentemente, seus irmãos, por serem homens, mereciam essa oportunidade mais que ela.

  Já sei que você, sendo o projeto de pessoa que é, acharia tudo isso um absurdo e cometeria o erro de se colocar nos sapatos de tal menina. Mas, acredite em você quando eu digo, isso te trará mais frustração do que qualquer coisa.

  Nos faça um favor e não cobre tanto de você mesma. Não há necessidade da carregar todos os desconcertos do mundo em suas costas.

  Se tem um conselho que eu gostaria que tivessem me dito, é para dar tempo ao tempo, a sua vez de mudar o mundo vai chegar, nem que seja só um pequeno pedacinho dele,  mas por enquanto deixe essas responsabilidades na mão de pessoas como a Malala ou a Paranaense Ana Júlia, que em 2016 vai a parlamento fazer um discurso contra a PEC 241*.

  Eu sei que essa carta não possuí nem metade das respostas para as suas perguntas, porém espero ter conseguido apaziguar alguma de suas crises existenciais.

 Foi um prazer falar com você de novo! 

Te vejo em alguns anos!

Mil Beijos, Nina Zangrandi 2019

*A Proposta de Emenda à Constituição 241, que pretende congelar gastos em saúde e educação por 20 anos.