Os alunos escrevem…

Sentir ou pensar? Eis a questão

Desde os primórdios, incomensuráveis autores tentaram definir e até explicar a felicidade, mas como colocar em palavras algo tão singular e autêntico, e, simultaneamente, universal?

De facto, a felicidade é transversal à totalidade da humanidade, constitui uma força motriz e norteia a nossa vida, tratando-se, segundo afirmara Stuart Mill, do “bem supremo”. Reformulando, a natureza antrópica em relação à felicidade é, metaforicamente, como o instinto de uma traça perante a luz. No entanto, bem como ocorre com este heterócero, o alcance do que tanto anseia deriva unicamente da intuição, de um impulso e da irracionalidade. No caso do Homem, não se trata de algo tão linear, uma vez que vivemos contrabalançando a racionalidade, que nos torna singulares no mundo, e a ausência dela, que nos distancia de um computador. No meu entender, este sentimento utópico alimenta-se do desaparecimento momentâneo da lógica, mergulhando-nos na verdadeira e inexplicável torrente das emoções. A título de exemplo, menciono os inúmeros momentos em que, por mais sisudos e melancólicos que estejamos ou por mais solene que seja a ocasião, ao ouvir uma gargalhada alheia e descontextualizada, rimos até surgirem lágrimas. Como justificamos nós esta atitude e esta sensação de alegria espontânea?

Na verdade, Descartes, no século XVII, defendia a doutrina “Penso, logo existo”; embora valorize a sua ideologia filosófica, permitam-me que discorde desta premissa. Considero que não é o intelecto que nos torna quem somos, mas as nossas emoções. Se a nossa vida se centrasse no puramente racional não avançaria, não correríamos riscos, não existiria o aleatório, não amaríamos incondicionalmente, isto é, não conheceríamos a felicidade, não seríamos seres humanos. Evoco, elucidando, os dilemas pessoais que todos experienciamos e que não são decisões levianas. Frequentemente, por inúmeros argumentos favoráveis a uma decisão, surgem também diversos discordantes. Como decidimos nesta situação? Como afirmam tantos: “Seguindo o nosso coração”, esclarecendo, escutando o absconso.

Em suma, antagonicamente à traça, necessitamos da ausência de lucidez, apenas seremos felizes e evitaremos a angústia pessoana se, para além de ansiar ser “O gato que brinca na rua”, formos para lá de Fernando Pessoa e realmente o deixarmos surgir tão naturalmente como este felino. Não devemos tentar fabricar a felicidade, somente abrir-lhe as portas para que ela irrompa dentro de nós.

Maria Balsinhas, 12ºC