Dia de Reis e Pintura

Para os apreciadores de pintura, aqui ficam alguns quadros alusivos à temática “Adoração dos Magos“.

Giotto

                                                                      Giotto

 

mantegna- os tres reis magos

                                                                        Mantegna

 

Brugghen

                                                         Hendrick ter Brugghen

 

Botticelli

                                                                     Botticelli

 

Da Vinci

                                                               Leonardo da Vinci

 

Albert Durer-adoration of the magi

                                                                         Durer

 

Belchior Paulo

                                                                   Belchior Paulo

 

James christensen

                                                              James Christensen

Dia de Reis

O Dia de Reis, celebrado a 6 de janeiro, assinala a data em que os “magos” Gaspar, Belchior e Baltasar, depois de serem guiados por uma estrela, foram até Jerusalém adorar o Menino Jesus e oferecer-lhe prendas (ouro, incenso e mirra). Este dia é também conhecido como Festa da Epifania.

 

Os Reis Magos, José Jorge Letria

 

São três e chegam de longe

com um sonho na bagagem,

querem estar com o menino

antes que finde a viagem.

 

São magos do Oriente

mas não são magos de rua

acreditam nos cometas,

nas estrelas e na lua.

 

São os magos viajantes

que resistem à fadiga,

seguindo o rasto de luz

de uma estrela que é amiga.

 

São os reis magos que chegam

das mais remotas paragens

com ouro, incenso e mirra

que trazem de outras viagens

 

São os reis magos felizes,

joelho assente na terra,

com um voto e uma prece:

“Menino, põe fim à guerra.”

 

Gaspar, Baltasar e Belchior

pedem à estrela brilhante:

“Dá nome a este menino

antes que o galo cante.”

 

Viemos aqui esta noite

com um desejo profundo:

Queremos ver o menino

que vem dar esperança ao mundo.

 

Merry Christmas and a Happy New Year

“Os alunos do 8ºA gostariam de partilhar as suas mensagens de Natal através destas imagens com os seus trabalhos alusivos a esta quadra tão especial e tão carismática, desejando  a todos um Feliz Natal e Ano Novo, repletos de paz, amor, alegria e muitos presentes, of course!”

Maria de Lurdes Bettencourt

A magia do Natal: um conto

Desde a época medieval à contemporânea, muitos escritores e poetas escreveram sobre a magia do Natal.

Aqui ficam três poemas e um conto, com votos de um Feliz Natal!

Natal

De sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possíveis por se aproximar da terra. A necessidade levara-o longe de mais. Pedir é um triste ofício, e pedir em Lourosa, pior. Ninguém dá nada. Tenha paciência, Deus o favoreça, hoje não pode ser – e beba um desgraçado água dos ribeiros e coma pedras! Por isso, que remédio senão alargar os horizontes, e estender a mão à caridade de gente desconhecida, que ao menos se envergonhasse de negar uma côdea a um homem a meio do padre-nosso. Sim, rezava quando batia a qualquer porta. Gostavam… Lá se tinha fé na oração, isso era outra conversa. As boas ações é que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas, tirassem daí o sentido. A coisa fia mais fino! Mas, enfim… Segue-se que só dando ao canelo por muito largo conseguia viver.

E ali vinha de mais uma dessas romarias, bem escusadas se o mundo fosse doutra maneira. Muito embora trouxesse dez réis no bolso e o bornal cheio, o certo é que já lhe custava arrastar as pernas. Derreadinho! Podia, realmente, ter ficado em Loivos. Dormia, e no dia seguinte, de manhãzinha, punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe em cabeça consoar à manjedoira nativa… E a verdade é que nem casa nem família o esperavam. Todo o calor possível seria o do forno do povo, permanentemente escancarado à pobreza. Em todo o caso sempre era passar a noite santa debaixo de telhas conhecidas, na modorra dum borralho de estevas e giestas familiares, a respirar o perfume a pão fresco da última cozedura… Essa regalia ao menos dava-a Lourosa aos desamparados. Encher-lhes a barriga, não. Agora albergar o corpo e matar o sono naquele santuário coletivo da fome, podiam. O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se cansado. Setenta e cinco anos, parecendo que não, é um grande carrego. Ainda por cima atrasara-se na jornada em Feitais. Dera uma volta ao lugarejo, as bichas pegaram, a coisa começou a render, e esqueceu-se das horas. Quando foi a dar conta, passava das quatro. E, como anoitecia cedo, não havia outro remédio senão ir agora a mata-cavalos, a correr contra o tempo e contra a idade, com o coração a refilar. Aflito, batia-lhe na taipa do peito, a pedir misericórdia. Tivesse paciência. O remédio era andar para diante. E o pior de tudo é que começava a nevar! Pela amostra, parecia coisa ligeira. Mas vamos ao caso que pegasse a valer? Bem, um pobre já está acostumado a quantas tropelias a sorte quer. Ele então, se fosse a queixar-se! Cada desconsideração do destino! Valia-lhe o bom feitio. Viesse o que viesse, recebia tudo com a mesma cara. Aborrecer-se para quê?! Não lucrava nada! Chamavam-lhe filósofo… Areias, queriam dizer. Importava-lhe lá.

E caía, o algodão em ramal caía, sim senhor! Bonito! Felizmente que a Senhora dos Prazeres ficava perto. Se a brincadeira continuasse, olha, dormia no cabido! O que é, sendo assim, adeus noite de Natal em Lourosa…

Apressou mais o passo, fez ouvidos de mercador à fadiga, e foi rompendo a chuva de pétalas. Rico panorama!

Com patorras de elefante e branco como um moleiro, ao cabo de meia hora de caminho chegou ao adro da ermida. À volta não se enxergava um palmo sequer de chão descoberto. Caiados, os penedos lembravam penitentes.

Não havia que ver: nem pensar noutro pouso. E dar graças!

Entrou no alpendre, encostou o pau à parede, arreou o alforge, sacudiu-se, e só então reparou que a porta da capela estava apenas encostada. Ou fora esquecimento ou alguma alma pecadora forçara a fechadura.

Vá lá! Do mal o menos. Em caso de necessidade, podia entrar e abrigar-se dentro. Assunto a resolver na ocasião devida… Para já, a fogueira que ia fazer tinha de ser cá fora. O diabo era arranjar lenha.

Saiu, apanhou um braçado de urgueiras, voltou, e tentou acendê-las. Mas estavam verdes e húmidas, e o lume, depois dum clarão animador, apagou-se. Recomeçou três vezes, e três vezes o mesmo insucesso. Mau! Gastar os fósforos todos é que não.

Num começo de angústia, porque o ar da montanha tolhia e começava a escurecer, lembrou-se de ir à sacristia ver se encontrava um bocado de papel.

Descobriu, realmente, um jornal a forrar um gavetão, e já mais sossegado, e também agradecido ao Céu por aquela ajuda, olhou o altar.

Quase invisível na penumbra, com o divino filho ao colo, a Mãe de Deus parecia sorrir-lhe.

– Boas festas! – desejou-lhe então, a sorrir também.

Contente daquela palavra que lhe saíra da boca sem saber como, voltou-se e deu com o andor da procissão arrumado a um canto. E teve outra ideia. Era um abuso, evidentemente, mas paciência. Lá morrer de frio, isso vírgula! Ia escavacar o arcanho. Olarila! Na altura da romaria que arranjassem um novo.

Daí a pouco, envolvido pela negrura da noite, o coberto, não desfazendo, desafiava qualquer lareira afortunada. A madeira seca do palanquim ardia que regalava; só de se cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas crescia água na boca; que mais faltava?

Enxuto e quente, o Garrinchas dispôs-se então a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedaço de broa e uma fatia de febra, e sentou-se. Mas antes da primeira bocada a alma deu-lhe um rebate e, por descargo de consciência, ergueu-se e chegou-se à entrada da capela. O clarão do lume batia em cheio na talha dourada e enchia depois a casa toda.

– É servida? A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino também.

E o Garrinchas, diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, não esteve com meias medidas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na Santa e trouxe-a para junto da fogueira. Consoamos aqui os três – disse, com a pureza e a ironia dum patriarca. – A senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora indigno, faço de S. José.

in Novos Contos da Montanha, Miguel Torga

 

conto natal

e 3 poemas de natal

A palavra mais bela – Adolfo Simões Muller

Fui ver ao dicionário de sinónimos

A palavra mais bela sem igual

Perfeita como a nave dos Jerónimos…

E o dicionário disse-me NATAL.

Perguntei aos poetas que releio:

Gabriela, Régio, Goethe, Poe, Quental,

Lorca, Olegário… e a resposta veio:

Christmas… Noel… Natividad…Natal…

Interroguei o firmamento todo!

Cobras, formigas, pássaros, chacal!

O aço em chispa, o «pipe-line», o lodo!

E a voz das coisas respondeu NATAL.

Cânticos, sinos, lágrimas e versos:

Um N, um A, um T, um A, um L…

Perguntei a mim próprio e fiquei mudo…

Qual a mais bela das palavras, qual?

Para que perguntar se tudo, tudo,

Diz Natal, diz Natal, e diz Natal?!

António Nobre

A noite de Natal. Em meu país, agora,

O que não vai até ao romper do dia, a aurora!

As mesas de jantar na cidade e na aldeia,

À luz das velas, ou à luz duma candeia,

Entre risadas de crianças e cristais

(De que me chegam até mim só ais, só ais),

Dois milhões de almas e outros tantos corações,

Pondo de parte ódios, torturas, aflições,

Que o mel suaviza e faz adormecer o vinho:

São todas em redor de uma toalha de linho!

Vasco Graça Moura

espero que me calhe aquela fava
que é costume meter no bolo-rei:
quer dizer que o comi, que o partilhei
no natal com quem mais o partilhava

numa ordem das coisas cuja lei
de afetos e memória em nós se grava
nalgum lugar da alma e que destrava
tanta coisa sumida que, bem sei,

pela sua presença cristaliza
saudade e alegria em sons e brilhos,
sabores, cores, luzes, estribilhos…
e até por quem nos falta então se irisa

na mais pobre semente a intensa dança
de tempo adulto e tempo de criança.

Adoração dos Pastores.Gregório Lopes

Concerto de Natal

António Cruz Serra, Reitor da Universidade de Lisboa e António de Vasconcelos Tavares, Presidente da Associação de Antigos Alunos da Universidade de Lisboa (ULisboa Alumni), convidam a comunidade académica para o Concerto de Natal que se realiza no próximo dia 15 de dezembro, pelas 21h30, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, com a participação da Orquestra Académica da Universidade de Lisboa.

R.S.F.F. até dia 13 de dezembro

Tel. 210 140 170     E-mail. eventos@ulisboa.pt

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