“School Memories”

“A Escola, a sua importância e a partilha de momentos inesquecíveis aí vividos quer pelos alunos quer pelos pais ou avós, assim como vários jogos e passatempos então considerados tradicionais, estiveram na origem destes trabalhos realizados pelos alunos do 8º A, na disciplina de Inglês, referente ao tema “School Memories“, em comemoração do “Dia da Escola”, do Pedro Nunes, que  irá decorrer este ano, no dia 22 de janeiro.
What about you? Let’s remember and have fun!”

 

Professora Maria de Lurdes Bettencourt

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Torneio de Ginástica Rítmica no Seixal

No fim de semana de 6 e 7 de janeiro, realizou-se um Torneio de Ginástica Rítmica – Torneio de Reis –  no Seixal, onde atletas da nossa Escola participaram e obtiveram excelentes resultados.

Ginástica Rítmica

Resultados do Torneio de Reis, realizado no Seixal no Centro de Solidariedade Social Pinhal de Frades.

Juniores

Pódio de Bola

Dinora Bondar –  1º Lugar em Bola

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Pódio da Classificação Geral

Rita Araújo – 1º Lugar na classificação geral

                          1º Lugar em Arco

                          2º Lugar em Bola

Dinora Bondar – 1º Lugar

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Juvenis

Podio Clara Melo – 2º Lugar

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Séniores

Pódio Margarida Ferreira – 1º Lugar

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Dia de Reis e Pintura

Para os apreciadores de pintura, aqui ficam alguns quadros alusivos à temática “Adoração dos Magos“.

Giotto

                                                                      Giotto

 

mantegna- os tres reis magos

                                                                        Mantegna

 

Brugghen

                                                         Hendrick ter Brugghen

 

Botticelli

                                                                     Botticelli

 

Da Vinci

                                                               Leonardo da Vinci

 

Albert Durer-adoration of the magi

                                                                         Durer

 

Belchior Paulo

                                                                   Belchior Paulo

 

James christensen

                                                              James Christensen

Dia de Reis

O Dia de Reis, celebrado a 6 de janeiro, assinala a data em que os “magos” Gaspar, Belchior e Baltasar, depois de serem guiados por uma estrela, foram até Jerusalém adorar o Menino Jesus e oferecer-lhe prendas (ouro, incenso e mirra). Este dia é também conhecido como Festa da Epifania.

 

Os Reis Magos, José Jorge Letria

 

São três e chegam de longe

com um sonho na bagagem,

querem estar com o menino

antes que finde a viagem.

 

São magos do Oriente

mas não são magos de rua

acreditam nos cometas,

nas estrelas e na lua.

 

São os magos viajantes

que resistem à fadiga,

seguindo o rasto de luz

de uma estrela que é amiga.

 

São os reis magos que chegam

das mais remotas paragens

com ouro, incenso e mirra

que trazem de outras viagens

 

São os reis magos felizes,

joelho assente na terra,

com um voto e uma prece:

“Menino, põe fim à guerra.”

 

Gaspar, Baltasar e Belchior

pedem à estrela brilhante:

“Dá nome a este menino

antes que o galo cante.”

 

Viemos aqui esta noite

com um desejo profundo:

Queremos ver o menino

que vem dar esperança ao mundo.

 

Merry Christmas and a Happy New Year

“Os alunos do 8ºA gostariam de partilhar as suas mensagens de Natal através destas imagens com os seus trabalhos alusivos a esta quadra tão especial e tão carismática, desejando  a todos um Feliz Natal e Ano Novo, repletos de paz, amor, alegria e muitos presentes, of course!”

Maria de Lurdes Bettencourt

A magia do Natal: um conto

Desde a época medieval à contemporânea, muitos escritores e poetas escreveram sobre a magia do Natal.

Aqui ficam três poemas e um conto, com votos de um Feliz Natal!

Natal

De sacola e bordão, o velho Garrinchas fazia os possíveis por se aproximar da terra. A necessidade levara-o longe de mais. Pedir é um triste ofício, e pedir em Lourosa, pior. Ninguém dá nada. Tenha paciência, Deus o favoreça, hoje não pode ser – e beba um desgraçado água dos ribeiros e coma pedras! Por isso, que remédio senão alargar os horizontes, e estender a mão à caridade de gente desconhecida, que ao menos se envergonhasse de negar uma côdea a um homem a meio do padre-nosso. Sim, rezava quando batia a qualquer porta. Gostavam… Lá se tinha fé na oração, isso era outra conversa. As boas ações é que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas, tirassem daí o sentido. A coisa fia mais fino! Mas, enfim… Segue-se que só dando ao canelo por muito largo conseguia viver.

E ali vinha de mais uma dessas romarias, bem escusadas se o mundo fosse doutra maneira. Muito embora trouxesse dez réis no bolso e o bornal cheio, o certo é que já lhe custava arrastar as pernas. Derreadinho! Podia, realmente, ter ficado em Loivos. Dormia, e no dia seguinte, de manhãzinha, punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe em cabeça consoar à manjedoira nativa… E a verdade é que nem casa nem família o esperavam. Todo o calor possível seria o do forno do povo, permanentemente escancarado à pobreza. Em todo o caso sempre era passar a noite santa debaixo de telhas conhecidas, na modorra dum borralho de estevas e giestas familiares, a respirar o perfume a pão fresco da última cozedura… Essa regalia ao menos dava-a Lourosa aos desamparados. Encher-lhes a barriga, não. Agora albergar o corpo e matar o sono naquele santuário coletivo da fome, podiam. O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se cansado. Setenta e cinco anos, parecendo que não, é um grande carrego. Ainda por cima atrasara-se na jornada em Feitais. Dera uma volta ao lugarejo, as bichas pegaram, a coisa começou a render, e esqueceu-se das horas. Quando foi a dar conta, passava das quatro. E, como anoitecia cedo, não havia outro remédio senão ir agora a mata-cavalos, a correr contra o tempo e contra a idade, com o coração a refilar. Aflito, batia-lhe na taipa do peito, a pedir misericórdia. Tivesse paciência. O remédio era andar para diante. E o pior de tudo é que começava a nevar! Pela amostra, parecia coisa ligeira. Mas vamos ao caso que pegasse a valer? Bem, um pobre já está acostumado a quantas tropelias a sorte quer. Ele então, se fosse a queixar-se! Cada desconsideração do destino! Valia-lhe o bom feitio. Viesse o que viesse, recebia tudo com a mesma cara. Aborrecer-se para quê?! Não lucrava nada! Chamavam-lhe filósofo… Areias, queriam dizer. Importava-lhe lá.

E caía, o algodão em ramal caía, sim senhor! Bonito! Felizmente que a Senhora dos Prazeres ficava perto. Se a brincadeira continuasse, olha, dormia no cabido! O que é, sendo assim, adeus noite de Natal em Lourosa…

Apressou mais o passo, fez ouvidos de mercador à fadiga, e foi rompendo a chuva de pétalas. Rico panorama!

Com patorras de elefante e branco como um moleiro, ao cabo de meia hora de caminho chegou ao adro da ermida. À volta não se enxergava um palmo sequer de chão descoberto. Caiados, os penedos lembravam penitentes.

Não havia que ver: nem pensar noutro pouso. E dar graças!

Entrou no alpendre, encostou o pau à parede, arreou o alforge, sacudiu-se, e só então reparou que a porta da capela estava apenas encostada. Ou fora esquecimento ou alguma alma pecadora forçara a fechadura.

Vá lá! Do mal o menos. Em caso de necessidade, podia entrar e abrigar-se dentro. Assunto a resolver na ocasião devida… Para já, a fogueira que ia fazer tinha de ser cá fora. O diabo era arranjar lenha.

Saiu, apanhou um braçado de urgueiras, voltou, e tentou acendê-las. Mas estavam verdes e húmidas, e o lume, depois dum clarão animador, apagou-se. Recomeçou três vezes, e três vezes o mesmo insucesso. Mau! Gastar os fósforos todos é que não.

Num começo de angústia, porque o ar da montanha tolhia e começava a escurecer, lembrou-se de ir à sacristia ver se encontrava um bocado de papel.

Descobriu, realmente, um jornal a forrar um gavetão, e já mais sossegado, e também agradecido ao Céu por aquela ajuda, olhou o altar.

Quase invisível na penumbra, com o divino filho ao colo, a Mãe de Deus parecia sorrir-lhe.

– Boas festas! – desejou-lhe então, a sorrir também.

Contente daquela palavra que lhe saíra da boca sem saber como, voltou-se e deu com o andor da procissão arrumado a um canto. E teve outra ideia. Era um abuso, evidentemente, mas paciência. Lá morrer de frio, isso vírgula! Ia escavacar o arcanho. Olarila! Na altura da romaria que arranjassem um novo.

Daí a pouco, envolvido pela negrura da noite, o coberto, não desfazendo, desafiava qualquer lareira afortunada. A madeira seca do palanquim ardia que regalava; só de se cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas crescia água na boca; que mais faltava?

Enxuto e quente, o Garrinchas dispôs-se então a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedaço de broa e uma fatia de febra, e sentou-se. Mas antes da primeira bocada a alma deu-lhe um rebate e, por descargo de consciência, ergueu-se e chegou-se à entrada da capela. O clarão do lume batia em cheio na talha dourada e enchia depois a casa toda.

– É servida? A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino também.

E o Garrinchas, diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, não esteve com meias medidas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na Santa e trouxe-a para junto da fogueira. Consoamos aqui os três – disse, com a pureza e a ironia dum patriarca. – A senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora indigno, faço de S. José.

in Novos Contos da Montanha, Miguel Torga

 

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